Photo credits: 2016 Jared Wickerham/BNP Paribas Open
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O ténis e especialmente um destes dois jogadores tem um papel importante na minha vida. Entenderão porquê.
Os que gostam de ténis e estão mais atentos às notícias certamente já se deram conta desta imagem, que se tornou viral de um dia para o outro.
A imagem da cumplicidade entre dois campeões e do fair-play que se vive neste desporto. Claro que, como em tudo, também há excepções, mas são poucas, muito poucas comparativamente.... Esta não é uma saudação entre dois amigos, apesar do grande respeito que nutrem um pelo outro. É a do actual nº1 do ranking mundial a saudar (ao seu estilo brincalhão que o caracteriza e eu pessoalmente admiro) o ex-nº1, por si destronado e ao qual as as coisas não têm corrido nada bem desde então.
Apenas para vos enquadrar do contexto da foto: anteontem, no Open de Indian Wells, Rafa Nadal teve uma performance ao seu velho nível acabando por ganhar (com um pouquinho de sorte tb, é verdade) a Alexander Zverev, um "miúdo" de 18 anos que o próprio Nadal lhe reconhece o potencial para ser um nº1. Tinha sido uma partida dura com momentos de ténis que levaram a audência a aplaudir de pé.
Após o encontro, saindo do túnel que liga ao court, cruzam-se Nadal, que terminara o encontro, e Djokovic que ia entrar no court para jogar. E este momento acontece! Adoro este desporto, as regras de conduta do mesmo, o cavalheirismo e fair-play e adoro sobretudo estes dois!
Photo credits: 2016 Jared Wickerham/BNP Paribas Open
A primeira vez que vi Djokovic jogar foi ao vivo, na final do Estoril Open em 2007. Djokovic sagrou-se campeão do torneio aos 19 anos e chamou-me a atenção o seu estilo e atitude em campo. De lá para cá, tornou-se o meu nº2. Porque nº1, esse, há-de sempre ter o mesmo nome - Rafa Nadal!
Quem me conhece sabe o quanto sou fã! Não pelos seus atributos físicos ou pelas campanhas sexys que tem feito (embora sejam um verdadeiro show e um regalo aos olhos) mas pela sua garra, pela resiliência, por "comer a terra", pelas suas atitudes sempre dignas para com todos os que o rodeiam, sejam os apanha-bolas ou alguém do público que irrompe o campo para o abraçar, rompendo a segurança, e por manter os "pés sempre bem assentes no chão". E pelo seu sorriso :-D
Acompanho a sua carreira desde os seus 18 anos. Estavamos em 2004, eu tinha ligado a TV e estava a dar a final da Copa Davis, onde se disputava uma partida entre os Estados Unidos e a Espanha. O resultado daquele encontro ditaria a vitória na Copa e, claro, as probabilidades estavam do lado dos EUA. Jogava um ex- nº1, Andy Roddick, contra o novato espanhol, Rafael Nadal. O que vi deixou-me agarrada ao televisor e tornei-me uma fã deste jogador cheio de raça!
Entretanto, eu tinha começado a aprender a jogar este desporto e a aprender o quão difícil é o que vemos fazer e parecer tão fácil. Quando fiz uma pausa na minha carreira profissional, por causa dos meus sucessivos tratamentos de fertilidade, agarrei-me ao ténis. Jogava e via muitas partidas. Muitas mesmo, praticamente todas as partidas transmitidas na TV em que jogasse o Rafa, Federer ou Djokovic. Mas não só estes.
Nos 6 primeiros tratamentos que fiz, aconselharam-me a que permanecesse de repouso nos dias seguintes à transferência. E, por coincidência, decorria sempre um torneio qualquer de ténis. Percebem porque assisti a tantos jogos? :-) Durante alguns anos, acompanhei e celebrei as vitórias do "Touro Miúra", como é apelidado. E me divirtia ainda mais pelo facto do meu marido ser um fã acérrimo do Federer. As vitórias do Nadal até pareciam ser vitórias minhas! eheheh
A verdade é que o ténis e Rafa Nadal me acompanharam em longas horas e me proporcionaram bons momentos, ajudando-me a viver com menos stress durante todo o processo. A cada tentativa falhada, telefonava ao meu professor de ténis e dizia-lhe "Vou voltar e quero estar em forma rápido para que na próxima corra tudo bem!" :-) Mal sabia eu que ia voltar umas quantas vezes...
Pouco dias após ter recebido a mais maravilhosa notícia que finalmente estava grávida, tive a oportunidade de ir ver o meu ídolo jogar na sua "catedral". Vi-o jogar e ganhar uma das meias-finais de Roland Garros. Uma vitória fácil, sem grande história, mas para mim fantástica :)
No dia em que entrei no Hospital para ter a minha filha, fi-lo de manhã por haver a necessidade de receber medicação antes do parto. Nesse dia, havia um jogo muito importante. Decorria o Australian Open e jogavam-se as meias finais. Uma delas, entre Rafa Nadal e outro espanhol, Fernando Verdasco, à qual eu e o meu marido assistimos enquanto esperávamos pela minha hora.
Foi a partida mais emotiva e intensa que assistira até então. Não só pelo que aconteceu em campo (5h14m de jogo tornaram-na a partida mais longa da história do torneio até então, entretanto batida pela final, em 2012, entre Nadal/Djokovic) mas também pela ansiedade envolvida. Ansiava pelo nascimento da minha filha mas não queria perder o fim do encontro. :-D Foi emocionante mesmo! E não poderia ter corrido melhor! Consegui assistir até ao fim, Nadal ganhou e estava a um passo da sua primeira vitória de sempre num torneio de piso rápido e eu tive a minha filha linda!!! Como é que esta miúda não haveria de gostar de jogar ténis?! Não é mesmo?
Este é um desporto em que os jogadores são adversários mas não inimigos. Estas são imagens desse jogo tão especial para mim <3
Percebem o que vos digo? Por estas e por outras, Rafa Nadal será sempre o meu nº1! VAMOS!